Dúvidas frequentes
Este FAQ reúne orientações gerais sobre piercings, cuidados, materiais, esterilização, anodização e aspectos sanitários/legais no Brasil. O conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica, orientação de um body piercer profissional ou consulta à Vigilância Sanitária.
Índice
1. Antes de fazer um piercing
1.1. O que devo avaliar antes de fazer um piercing?
Antes de fazer um piercing, avalie três pontos principais: a qualidade do estúdio,
a qualificação do profissional e o material da joia. Piercing é um procedimento
invasivo, pois perfura pele, mucosa ou tecido corporal para inserir uma joia.
Por isso, deve ser feito em ambiente limpo, com materiais estéreis e técnica
adequada.
Também é importante considerar sua saúde geral. Pessoas com histórico de
queloide, alergia a metais, diabetes não controlada, imunossupressão, doenças
cardíacas, alterações de coagulação ou doenças de pele ativas devem conversar
com um profissional de saúde antes do procedimento.
1.2. Como escolher um bom estúdio de piercing?
Um bom estúdio deve ter ambiente limpo, organizado e separado por áreas: recepção, sala de procedimento, local para limpeza/esterilização de materiais e armazenamento de itens esterilizados. A sala de procedimento deve ter super- fícies fáceis de limpar, boa iluminação, lavatório para higienização das mãos, sabonete líquido, papel toalha e lixeira com tampa e pedal.
O profissional deve lavar as mãos, usar luvas descartáveis, abrir agulhas e ma- teriais estéreis na frente do cliente e descartar perfurocortantes em recipiente apropriado. Agulhas devem ser de uso único. O uso de pistola de perfuração em cartilagens ou em qualquer região além do lóbulo é extremamente desacon- selhado. Esse método não é apropriado para esse tipo de procedimento, pois perfura por impacto, causa mais trauma ao tecido, oferece menor precisão, pode favorecer lesões e não permite o mesmo controle de esterilidade de uma agulha estéril, descartável e adequada ao local.
1.3. Quem deve adiar ou evitar um piercing?
É melhor adiar o procedimento quando houver infecção local, inflamação, der-
matite, eczema, psoríase ativa, feridas abertas, febre ou qualquer condição que
prejudique a cicatrização. Também é recomendado cautela para pessoas com
tendência a queloides, alergia a metais, diabetes descompensada, imunidade
baixa, doença cardíaca relevante ou uso de medicamentos que alterem coagu-
lação ou resposta imunológica.
Grávidas e lactantes geralmente devem evitar novos piercings, especialmente
porque a cicatrização pode ser mais complexa e qualquer infecção pode repre-
sentar risco adicional.
2. Normas sanitárias, Anvisa e questões legais
2.1. Existe uma norma federal específica da Anvisa para piercing?
Segundo material técnico da Anvisa sobre serviços de tatuagem e piercing, não
há uma norma sanitária federal única e específica apenas para a prática de pierc-
ing. Esses serviços são considerados serviços de interesse para a saúde e
ficam sujeitos à regulamentação e fiscalização das Vigilâncias Sanitárias estad-
uais e municipais.
Na prática, o estúdio deve seguir exigências sanitárias locais, manter boas práti-
cas de biossegurança, usar produtos regularizados quando aplicável e possuir
licença/alvará sanitário quando exigido pelo município ou estado.
2.2. O estúdio precisa de alvará da Vigilância Sanitária?
Sim. Para iniciar atividades de tatuagem ou colocação de piercing, o estabelecimento deve possuir licença de funcionamento ou alvará sanitário emitido pela Vigilância Sanitária local. Esse tipo de atividade é tratado como serviço
de maior risco sanitário, podendo exigir inspeção prévia antes do início das atividades.
O ideal é que o alvará esteja disponível ou exposto em local visível. Em caso de dúvida, o cliente pode consultar a Vigilância Sanitária do município.
2.3. O estúdio precisa manter registro dos clientes?
Sim. O estabelecimento deve manter registro dos atendimentos, incluindo identificação do cliente, data do procedimento, local do corpo perfurado, tipo de procedimento, intercorrências, alergias ou eventos adversos, e nome do profissional responsável.
Esse registro é importante para rastreabilidade, segurança sanitária e eventual investigação de intercorrências.
2.4. Quais produtos precisam ser regularizados?
Produtos usados em procedimentos devem ser adequados à finalidade e regularizados quando aplicável. Isso inclui agulhas, cateteres, pinças, saneantes/desinfetantes, autoclaves, equipamentos e itens de uso profissional.
Para tatuagens, tintas e pigmentos precisam de registro sanitário. Para piercings, a Anvisa orienta que os adornos sejam de materiais biocompatíveis e passem por rigoroso processo de limpeza e esterilização antes de serem inseridos no corpo.
2.5. Menores de idade podem fazer piercing?
3. Biossegurança e esterilização
3.1. Como instrumentos e joias devem ser esterilizados?
Instrumentos reutilizáveis devem passar por limpeza, desinfecção e esterilização
adequada antes do uso. A esterilização mais comum e indicada é feita em auto-
clave, equipamento que utiliza vapor sob pressão para eliminar microrganismos.
A joia destinada à perfuração inicial também deve estar limpa, esterilizada e
embalada individualmente. O ideal é que a embalagem seja aberta na frente do
cliente, imediatamente antes do procedimento.
3.2. Agulhas podem ser reutilizadas?
3.3. O que é contaminação cruzada?
Contaminação cruzada ocorre quando microrganismos passam de uma superfície,
instrumento, luva, embalagem ou pessoa para outra. Isso pode acontecer quando
o profissional toca objetos não esterilizados com luvas contaminadas, reutiliza
materiais descartáveis ou manipula joias sem técnica limpa.
Para evitar esse risco, o profissional deve trocar luvas quando necessário, manter
superfícies desinfetadas, separar materiais limpos e contaminados, usar embala-
gens individuais e seguir protocolos de biossegurança.
4. Joias, metais e biocompatibilidade
4.1. Quais materiais são mais seguros para piercings?
Os materiais mais recomendados para piercings, especialmente em perfurações
recentes, são:
- Titânio grau implante, especialmente ASTM F-136;
- Aço cirúrgico grau implante, como ASTM F-138/316LVM;
- Nióbio;
- Ouro sólido 14k ou 18k, desde que livre de níquel e cádmio;
- Platina, quando disponível;
- Vidro apropriado para uso corporal, em casos específicos.
O material deve ser apenas parte da avaliação. A joia também precisa ter bom
acabamento, polimento liso, tamanho adequado, design correto para a anatomia
e sistema de encaixe seguro.
4.2. Quais são as principais diferenças entre aço, titânio e ouro?
Aço cirúrgico 316L/316LVM: é resistente, durável e mais acessível. O aço
grau implante possui boa biocompatibilidade para a maioria das pessoas, mas
contém níquel em sua composição. Mesmo preso na liga, o níquel pode ser um
problema para pessoas sensíveis ou com alergia conhecida.
Titânio ASTM F-136: é mais leve que o aço, altamente resistente à cor-
rosão e geralmente a opção mais segura para pessoas com sensibilidade a metais.
Não contém níquel e possui excelente biocompatibilidade. Também pode ser
anodizado para obter diferentes cores sem tinta ou banho.
Ouro sólido 14k ou 18k: pode ser apropriado quando a liga é de alta qual-
idade, sólida, livre de níquel e cádmio, e fabricada especificamente para body
jewelry. Ouro muito puro, como 24k, costuma ser macio demais para uso con-
tínuo em piercing. Já peças folheadas, banhadas ou de baixa qualidade não são
recomendadas.
Em termos práticos: titânio costuma ser a melhor escolha para perfuração
inicial e peles sensíveis; aço grau implante é seguro para muitas pessoas, mas
não é ideal para alérgicos a níquel; ouro sólido de qualidade é uma boa opção
estética e biocompatível, desde que a liga seja adequada.
4.3. A prata é recomendada para piercings?
Não é recomendada para perfurações recentes ou em cicatrização. A prata,
especialmente a prata 925, é uma liga composta por 92,5% de prata e 7,5%
de outros metais, geralmente cobre. Ela pode oxidar em contato com umidade,
secreções naturais, suor e fluidos corporais, causando o escurecimento da
prata.
Esse escurecimento pode irritar o tecido, manchar a pele e, em alguns casos,
deixar marcas acinzentadas ou escurecidas ao redor da perfuração. Além disso,
a prata é mais macia do que titânio ou aço, podendo riscar com facilidade; riscos
e imperfeições na superfície favorecem acúmulo de resíduos e microrganismos.
Por isso, a prata não é ideal para perfuração inicial. Em piercings totalmente
cicatrizados, pode ser usada apenas com cautela, por períodos curtos e em
regiões de menor risco, desde que a pessoa não tenha sensibilidade e a joia
seja bem acabada. Para uso contínuo, titânio, aço grau implante e ouro sólido
adequado são opções mais seguras.
4.4. Joias banhadas, folheadas ou pintadas são seguras?
Não são ideais para piercings recentes. Peças banhadas, folheadas, pintadas ou
com revestimento de baixa qualidade podem descascar, liberar metais da base,
irritar a pele e dificultar a cicatrização. Em uma perfuração nova, a joia fica em
contato direto com tecido em cicatrização, então o material precisa ser estável,
biocompatível e resistente à esterilização.
Para perfuração inicial, prefira joias sólidas de material apropriado, como titânio
grau implante, aço grau implante, nióbio ou ouro sólido de qualidade.
4.5. O que é anodização?
Anodização é um processo eletroquímico usado principalmente em titânio e
nióbio. Ele aumenta a camada natural de óxido do metal, fazendo com que
a luz reflita de formas diferentes e gere cores variadas. A cor não vem de tinta,
pigmento ou banho metálico.
No titânio, a anodização pode criar tons como dourado, azul, roxo, verde e
outras variações. Em geral, quando feita corretamente em titânio ou nióbio de
qualidade, a anodização não compromete a biocompatibilidade da joia.
A cor anodizada pode mudar ou desbotar com o tempo devido a atrito, oleosi-
dade, pH da pele, produtos químicos e limpeza inadequada. Isso não significa,
necessariamente, que a joia ficou insegura; muitas vezes é apenas desgaste su-
perficial da cor.
4.6. O que é melhor: rosca interna, rosca externa ou threadless?
Para perfurações novas, joias de rosca interna ou threadless são preferíveis.
Na rosca interna, a parte que atravessa o canal do piercing é lisa, e a rosca fica
dentro da haste. Isso reduz o risco de raspar ou machucar o tecido durante a
inserção. No sistema threadless, a peça decorativa é encaixada por pressão, sem
rosca aparente.
A rosca externa, por outro lado, tem a rosca na parte que passa pelo tecido.
Isso pode causar microtraumas, principalmente em piercings novos ou sensíveis.
4.7. Como entender as medidas de piercing?
As medidas de piercing costumam indicar espessura, comprimento, diâmetro e, em alguns casos, o tamanho do topo ou da esfera. No Brasil, o ideal é trabalhar em milímetros (mm), porque isso reduz confusões e facilita a escolha correta da joia.
A medida mais comum aparece assim: 1,2 mm × 8 mm. Nesse exemplo, 1,2 mm é a espessura da haste que atravessa o canal da perfuração, enquanto 8 mm pode representar o comprimento da haste ou o diâmetro interno da argola, dependendo do modelo da joia.
| Termo | O que significa | Exemplo |
|---|---|---|
| Espessura | Grossura da parte que atravessa o canal do piercing. | 1,0 mm, 1,2 mm, 1,6 mm |
| Comprimento da haste | Distância útil entre as extremidades de labrets, barbells retos ou curvos. | 6 mm, 8 mm, 10 mm |
| Diâmetro interno | Medida interna de argolas, clickers, circular barbells e ferraduras. | 6 mm, 8 mm, 10 mm |
| Topo ou esfera | Tamanho da parte decorativa ou da esfera da joia. | 2 mm, 3 mm, 4 mm |
| Rosca ou encaixe | Sistema de fechamento da joia, não exatamente uma medida. | Rosca interna, rosca externa, threadless |
Em alguns países, a espessura também é indicada em gauge (G). Nesse sistema, quanto maior o número, mais fina é a joia. As conversões aproximadas mais comuns são:
| Gauge | Milímetros aproximados |
|---|---|
| 18G | 1,0 mm |
| 16G | 1,2 mm |
| 14G | 1,6 mm |
| 12G | 2,0 mm |
A escolha da medida não deve ser feita apenas pela aparência. Uma joia curta demais pode comprimir o tecido, dificultar a circulação, favorecer o inchaço e até ser incorporada pela pele. Uma joia longa demais pode enroscar, movimentar-se em excesso e causar trauma.
Em perfurações recentes, é comum utilizar uma haste um pouco maior para acomodar o inchaço inicial. Depois que esse inchaço diminui, pode ser necessário realizar a redução da haste, conhecida como downsize, com acompanhamento profissional.
Por isso, a medida ideal depende da anatomia, da região perfurada, do tipo de joia, do inchaço esperado e do estágio de cicatrização. Sempre que houver dúvida, a escolha deve ser feita com a orientação de um body piercer profissional.
5. Cicatrização e cuidados diários
5.1. Quanto tempo um piercing leva para cicatrizar?
O tempo varia conforme a região, anatomia, técnica, material da joia, cuidados
e saúde da pessoa. Em geral:
- Lóbulo da orelha: cerca de 6 a 8 semanas;
- Cartilagens da orelha: 3 a 12 meses;
- Nariz: 3 a 9 meses;
- Sobrancelha: 2 a 4 meses;
- Lábios e região oral: 2 a 4 meses;
- Mamilo: 6 a 12 meses;
- Umbigo: 6 a 12 meses ou mais;
- Genitais: varia bastante conforme a região.
O piercing pode parecer cicatrizado por fora antes de estar totalmente estável
por dentro. Por isso, não troque a joia antes da orientação do profissional.
5.2. Como limpar o piercing corretamente?
Lave as mãos antes de tocar no local. Para limpeza externa, use soro fisi-
ológico estéril 0,9%, comprado em farmácia, preferencialmente em spray ou
embalagem própria para irrigação de feridas. Aplique suavemente e seque com
gaze limpa ou papel descartável.
Evite girar a joia. Essa prática não ajuda a cicatrizar e pode causar irritação.
Também evite cutucar crostas, puxar a joia ou remover secreções secas com
força.
5.3. Posso fazer solução salina em casa com água e sal?
Não é recomendado. Quando falamos em solução salina para piercing, o ideal
é soro fisiológico estéril 0,9% comprado em farmácia, não uma mistura
caseira de água com sal.
A solução feita em casa pode ter concentração errada, não ser estéril e irritar a
pele. Sal em excesso resseca e agride o tecido; pouco sal pode não ter o efeito
esperado. Produtos para lente de contato também não são ideais, porque podem
conter conservantes ou componentes adicionais.
5.4. Quais produtos devo evitar?
Evite álcool, água oxigenada, iodo, pomadas sem orientação, sabonetes muito
fortes, produtos com perfume, clorexidina de uso contínuo sem indicação,
soluções caseiras, óleos essenciais e receitas populares. Esses produtos podem
irritar a pele, alterar a cicatrização e piorar o processo.
5.5. Posso trocar a joia durante a cicatrização?
Não é recomendado trocar a joia por conta própria durante a cicatrização. A
troca precoce pode ferir o canal, introduzir bactérias, provocar inflamação e
atrasar a cicatrização.
Em alguns casos, o profissional pode fazer uma troca técnica, como reduzir
o tamanho da haste após o inchaço inicial. Isso deve ser feito com material
adequado e técnica limpa.
6. Sinais de alerta, alergias e complicações
6.1. O que é normal nos primeiros dias?
É comum haver leve vermelhidão, sensibilidade, inchaço moderado, pequena
secreção clara ou esbranquiçada e formação de crostas discretas. Esses sinais
tendem a melhorar gradualmente.
Dor intensa, piora progressiva, calor local forte, pus, mau cheiro, febre ou listras
vermelhas saindo da perfuração não são sinais normais.
6.2. Como saber se o piercing está infectado?
Sinais de possível infecção incluem dor crescente, vermelhidão intensa, inchaço
importante, calor local, secreção amarela ou esverdeada, odor desagradável,
febre, mal-estar ou aumento da sensibilidade ao longo dos dias.
Em caso de suspeita de infecção, procure atendimento médico. Não tente espre-
mer, furar bolhas, remover pus ou iniciar antibiótico por conta própria.
6.3. Devo remover a joia se estiver infeccionado?
Nem sempre. Remover a joia durante uma infecção pode fechar a saída do canal
e dificultar a drenagem. Por outro lado, se houver inchaço intenso, risco de a
joia ser “engolida” pela pele ou reação grave ao material, a remoção pode ser
necessária.
A decisão deve ser feita por profissional de saúde, preferencialmente com apoio
de um piercer experiente.
6.4. Como diferenciar alergia de infecção?
Alergia costuma causar coceira, vermelhidão, irritação, descamação e inchaço
persistente, muitas vezes sem pus ou febre. Infecção tende a causar dor crescente,
calor, secreção purulenta e piora progressiva.
Alergia a níquel é uma das reações mais comuns relacionadas a joias. Quando
há suspeita de alergia, materiais como titânio grau implante e nióbio costumam
ser melhores opções.
6.5. O que são queloides e cicatrizes hipertróficas?
Cicatriz hipertrófica é uma elevação localizada ao redor da perfuração, geral-
mente limitada à área do trauma. Queloide é uma cicatriz elevada que cresce
além da área original da lesão e pode ter influência genética.
Nem toda “bolinha” no piercing é queloide. Muitas vezes é irritação, trauma,
pressão da joia, ângulo inadequado, material ruim ou cuidado excessivo. O ideal
é avaliar com um piercer experiente e, se necessário, com dermatologista.
7. Cuidados específicos por região
7.1. Piercing oral pode prejudicar dentes e gengiva?
Sim. Piercings na língua, lábio ou bochecha podem causar desgaste dentário,
retração gengival, fratura de dentes, irritação na mucosa, alteração na fala e
acúmulo de placa se não houver higiene adequada.
Para piercings orais, é importante manter boa higiene bucal, evitar álcool e
cigarro durante a cicatrização, usar enxaguante sem álcool quando indicado e
acompanhar com dentista.
7.2. Piercing no mamilo atrapalha a amamentação?
Pode atrapalhar em alguns casos, especialmente se houver cicatrizes, infecções
anteriores ou lesões nos ductos. Durante a amamentação, a joia deve ser re-
movida para evitar risco de aspiração ou engasgo do bebê.
Quem pretende amamentar deve conversar com profissional de saúde e evitar
perfurações recentes no mamilo durante gestação ou lactação.
7.3. Piercings genitais exigem cuidados diferentes?
Sim. Piercings genitais exigem atenção redobrada com higiene, atrito, roupa,
atividade sexual e contato com fluidos corporais. Durante a cicatrização, deve-se
evitar trauma, usar barreiras de proteção quando houver relação sexual e seguir
rigorosamente as orientações do profissional.
Caso haja dor intensa, sangramento persistente, secreção, mau cheiro ou dificul-
dade para urinar, procure atendimento médico.
7.4. Piercings interferem em exames ou cirurgias?
Podem interferir. Joias metálicas podem precisar ser removidas antes de exames
de imagem, cirurgias, procedimentos odontológicos ou situações em que haja
risco de aquecimento, tração, interferência ou aspiração.
Se o piercing ainda estiver cicatrizando, converse com o piercer sobre alternativas
temporárias, como retentores adequados, quando permitidos pelo procedimento
médico.
7.5. Posso doar sangue após fazer piercing?
8. Checklist rápido para o cliente
Antes de fazer o piercing, confirme se:
- O estúdio possui licença/alvará sanitário quando exigido;
- O ambiente é limpo, organizado e bem iluminado;
- O profissional usa luvas e troca quando necessário;
- A agulha é estéril, descartável e aberta na sua frente;
- A joia é de material adequado e foi esterilizada;
- A joia tem tamanho, espessura e formato compatíveis com sua anatomia;
- Você recebeu orientações de cuidados por escrito;
- Você sabe quais sinais exigem avaliação médica;
- Você entende o tempo real de cicatrização da região escolhida.
9. Resumo sobre materiais
| Material | Indicado para perfuração inicial? | Observações |
|---|---|---|
| Titânio ASTM F-136 | Sim | Excelente biocompatibilidade, leve, sem níquel e pode ser anodizado. |
| Aço cirúrgico grau implante | Sim, para muitas pessoas | Resistente e acessível, mas contém níquel na liga. |
| Ouro sólido 14k/18k | Sim, se for liga adequada | Deve ser sólido, livre de níquel e cádmio e não pode ser folheado. |
| Nióbio | Sim | Boa biocompatibilidade e pode ser anodizado. |
| Platina | Sim | Muito biocompatível, porém cara e menos comum. |
| Prata 925 | Não para perfuração recente | Pode oxidar, causar escurecimento da prata, irritação e manchas na pele. |
| Joia folheada ou banhada | Não | Pode descascar e expor metais irritantes. |
| Acrílico, silicone, madeira ou pedra | Não para perfuração recente | Materiais porosos ou inadequados para a cicatrização inicial. |
10. Referências e fontes consultadas
As referências abaixo embasam o conteúdo do FAQ. Para facilitar a conferência, cada fonte indica os tópicos numerados em que foi utilizada como base ou apoio.
Como normas sanitárias e leis locais podem mudar, recomenda-se confirmar exigências específicas com a Vigilância Sanitária do município ou estado antes de realizar procedimentos profissionais.
-
Anvisa — Perguntas e Respostas: Serviços de Tatuagem e Piercing. Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Coordenação de Serviços de Interesse para Saúde, 28 mar. 2025. Tópicos relacionados: 2.1, 2.2, 2.3, 2.4, 3.1, 3.3 e 8.
-
Anvisa — Serviços de interesse para a saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Tópicos relacionados: 2.1 e 2.2.
-
Lei nº 9.828, de 06 de novembro de 1997 — Estado de São Paulo. Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Tópico relacionado: 2.5.
-
Lei nº 3.666, de 06 de setembro de 2005 — Distrito Federal. Sistema Integrado de Normas Jurídicas do Distrito Federal. Tópico relacionado: 2.5.
-
Association of Professional Piercers — Jewelry for Initial Piercings. APP. Tópicos relacionados: 4.1, 4.2, 4.4, 4.5, 4.6, 4.7 e 9.
-
Association of Professional Piercers — Aftercare. APP. Tópicos relacionados: 5.1, 5.2, 5.3, 5.4, 5.5 e 8.
-
Association of Professional Piercers — Know Your Rights. APP. Tópicos relacionados: 1.2, 3.1, 3.2, 4.1, 4.3, 4.4, 8 e 9.
-
University Student Health Services — Body Piercings Fact Sheet. Virginia Commonwealth University. Tópicos relacionados: 1.1, 1.2, 1.3, 3.1, 3.2, 4.1, 5.1, 5.2, 5.3, 5.4, 6.1, 6.2, 6.3, 6.4 e 8.
-
DermNet NZ — Body piercing. DermNet. Tópicos relacionados: 1.3, 5.1, 6.2, 6.4, 6.5, 7.1, 7.3, 7.4 e 7.5.
-
NCBI Bookshelf / LactMed — Nipple Piercing. Drugs and Lactation Database — LactMed. Tópicos relacionados: 1.3, 5.1 e 7.2.
-
U.S. Geological Survey — What is sterling silver? USGS. Tópicos relacionados: 4.3 e 9.
-
Madan V. Escurecimento da prata e argiria cutânea localizada em piercings recentes de prata esterlina: série de casos. Clinical and Experimental Dermatology, 2025. Tópicos relacionados: 4.3 e 9.
-
Localized Cutaneous Argyria From a Nasal Piercing Successfully Treated With a Picosecond 755-nm Q-Switched Alexandrite Laser. Dermatologic Surgery, 2017. Tópico relacionado: 4.3.
-
Anodizing — visão geral técnica sobre anodização de titânio e nióbio. Referência técnica sobre formação e espessamento da camada de óxido, geração de cor por interferência de luz e uso em joias de titânio e nióbio. Tópicos relacionados: 4.2, 4.5 e 9.
-
Healthline — The Ultimate Guide to Getting Your Ears Pierced at Any Age. Healthline, revisão médica. Tópicos relacionados: 4.1, 4.2, 5.2, 6.2, 6.4, 6.5 e 9.
-
Somatic Body Piercing — Conversion Chart. Tabela de conversão entre gauge e milímetros para medidas de joias corporais. Tópico relacionado: 4.7.